O dia acordou soalheiro, a temperatura finalmente a lembrar que o inverno também sabe ser simpático e tudo parecia alinhar-se para um belo passeio em família. Não foi bem assim por estas bandas.
Com a matriarca em serviço cívico, uma generosa dose de preguiça, almoço em casa dos avós e a inevitável passagem pela urna de voto, a tarde acabou por ser passada em modo doméstico. Depois da execução — mais ou menos entusiástica — das tarefas domésticas indigitadas, o mais novo mergulhou em livros e jogos com amigos. Já o mais velho e eu alapámo-nos no sofá.
Foi tempo de regressar à segunda parte de O padrinho (a primeira já tinha sido saboreada nas pausas natalícias). Felizmente para mim, o João tem um gosto assumidamente vintage: aprecia clássicos, tanto na música como no cinema, o que me permite revisitar algumas obras-primas da sétima arte. Desta vez, calhou o segundo capítulo da masterpiece de Francis Ford Coppola.
Uma das grandes riquezas da tarde foi poder trocar ideias com o miúdo à medida que as cenas se desenrolavam: ler os silêncios, perceber o que não é dito, descobrir a mestria do realizador em cada enquadramento e em cada diálogo implícito. Cinema que não se limita a ver — pensa-se, comenta-se, partilha-se.
A parte III virá em breve. O sofá já está avisado.
