Hoje, parece quase proibido assumir uma dimensão espiritual ou permitir que a fé faça parte da vida pública. A cultura dominante tenta reduzir a religião a algo do foro íntimo, como se qualquer expressão coletiva fosse sinónimo de imposição.
Esquece-se de que, para muitos, a fé é consolo, tradição e identidade. Uma cerimónia religiosa em memória das vítimas não apaga nem desrespeita quem não partilha dessa crença; antes procura dar voz a uma parte da nossa sociedade que continua a encontrar na espiritualidade um espaço de sentido e conforto.
O verdadeiro perigo não está na celebração de uma missa ou de uma oração pública, mas sim na cultura de ódio que tenta silenciar qualquer expressão religiosa, tratando-a como uma afronta à liberdade. Essa intolerância — mascarada de laicidade — acaba por criar divisões ainda mais profundas.
Uma sociedade verdadeiramente democrática e inclusiva reconhece essa pluralidade.
