Quando as mãos encontram as baquetas e os olhos se fecham para dentro, não existe palco, não existe plateia, não existe nada além do pulso que nasce do peito e se transforma em som.
A postura curvada não é cansaço, é devoção. É o corpo inteiro a servir algo maior do que ele próprio.
Tocar bateria é um ato de coragem silenciosa. É sustentar os outros, é ser a espinha dorsal de tudo o que soa à volta. Sem alarde, sem melodia que se destaque — apenas a força que faz tudo funcionar.
E há algo de profundamente humano nisso: escolher uma arte que exige tanto do corpo, tanta disciplina, tanto treino — e ainda assim fazê-la com essa intensidade, essa presença total.
